Golpe do vale-gás: quadrilha desvia salário de idosos no ES com falso benefício
📍 Espírito Santo › VitóriaGolpes e fraudes
Dez pessoas foram indiciadas por estelionato contra idosos no Espírito Santo devido ao esquema conhecido como golpe do vale-gás. Conforme a investigação, a organização prometia benefícios sociais falsos para capturar dados biométricos, abrir contas bancárias e desviar os salários das vítimas.
No estado, ao menos 58 pessoas registraram queixas formais contra os investigados, cujos prejuízos estimados chegam a aproximadamente R$ 2 milhões.
O trabalho investigativo foi realizado pela Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), que integra o Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic).
O caso representa um desdobramento das prisões de Joyce Máximo da Silva, de 34 anos, e Rafael de Jesus Guarany de Oliveira, de 32 anos, ocorridas em 2 de setembro de 2025 no bairro Redenção, em Vitória.
Atuação em quatro estados
De acordo com o delegado-adjunto da Delegacia Especializada de Defraudações e Falsificações (Defa), Jonathan Lana, o grupo criminoso operava a partir do Rio de Janeiro e contava com registros de atuação também no Espírito Santo, em Minas Gerais e em Alagoas.
“Temos registros de atuações desses golpistas em conversas em grupos em pelo menos quatro estados, o próprio estado do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Alagoas”, declarou.
Segundo a polícia, os suspeitos utilizavam dados vazados — como nome, filiação, data de nascimento, telefone e, em certas ocasiões, dados bancários — para selecionar as vítimas e iniciar os contatos.
O delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), Jordano Bruno, explicou que os investigados se passavam por representantes de serviços de assistência social. Após o contato inicial, agendavam visitas presenciais para coletar informações pessoais e biometria, o que viabilizava a abertura de contas, a contratação de empréstimos e a portabilidade dos salários das vítimas.
Vítimas eram escolhidas pela renda e rotina
A apuração indicou que as vítimas selecionadas recebiam entre um salário mínimo e R$ 2 mil, sendo abordadas nos momentos em que estariam sozinhas. Conforme o delegado-adjunto Jonathan Lana, o grupo analisava a rotina das pessoas antes de enviar os executores para concretizar a fraude.
A Polícia Civil apontou Bárbara Pena Corrêa como gerente e intermediadora da quadrilha. Já Daniel André Miranda Paz de Oliveira, Walter Martins de Souza Neto e Antônio Cesar Sousa Ferreira foram indicados como líderes, exercendo funções de distribuição de valores, logística e fabricação de cartões utilizados no golpe, e mediação de conflitos, respectivamente.
“Existia um perfil de vítima determinado, um perfil que recebia entre um salário mínimo e até R$ 2 mil, que era determinado um período de atuação em que a vítima estaria em vulnerabilidade”, pontuou o delegado.
Como executoras, foram indiciadas Vitória de Freitas da Silva, Jessica Ferreira da Silva, Barbara Victoria dos Santos da Paz, Josiane Ribeiro da Silva Oliveira e Joyce Máximo da Silva. Por sua vez, Rafael de Jesus Guarany de Oliveira foi apontado como motorista e executor das ações em campo.
Grupo usava WhatsApp para organizar fraudes
Conforme o relato de Jonathan Lana, os suspeitos utilizavam um grupo de WhatsApp para coordenar as abordagens, adotando termos específicos para nominar as atividades ilícitas. As vítimas eram tratadas como “clientes”, os locais de encontro como “escritório” e cada fraude era classificada como “contrato”.
Em uma das conversas registradas, Jéssica fala para Joyce sobre “ajudar uma mulher”, ao que a suspeita responde que também tem o objetivo de ajudá-la.
Em outro trecho, Rafael comunica a Daniel que faria uma checagem na residência de uma potencial vítima para averiguar a presença de câmeras e as condições da rua. Segundo a polícia, as mensagens demonstram que os investigados avaliavam a margem de empréstimos disponível e a viabilidade de obtenção de valores antes de efetuarem as visitas.
Investigados respondem por sete crimes
No total, os dez investigados foram indiciados por sete estelionatos cometidos contra quatro vítimas, além do crime de organização criminosa. Os quatro apontados como líderes enfrentam agravamento de pena devido às suas funções de comando, de acordo com a PCES.
Joyce e Rafael permanecem presos, à disposição da Justiça, enquanto os demais investigados respondem ao processo criminal em liberdade, segundo informações da Polícia Civil.
Com informações de Folha Vitória.
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